terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

Avacoiso


O cartaz já nos dá uma informação preciosíssima: do realizador de Titanic. E o que nos ocorre, quando pensamos no Titanic? Dói-me o rabo e já não tenho posição? Quando é que isto acaba que preciso de ir fazer xixi? Quem me dera que o Leo morresse depressa, enquanto ainda me interesso? Sim, tudo isso.

Este é mais pequenino, vá lá, mas ainda é grande de mais. O 3D está bem feitinho, sim senhora, e não faz dores de cabeça. Os óculos 3D é que dão cabo da cana do nariz e orelhitas, pelo que convém despachar os filmes com esta téquenologia mais depressinha, boa? Duas horas e meia não é aceitável, principalmente quando, p'raí desde o meio do filme, já nos estamos a interrogar sobre onde é que já vimos aquilo, era um filme de índios e cóbois, a ver se me lembro... não me lembrei, mas lembrou me mate, ao fim: é um Danças com Lobos no espaço (e com índios azuis).

E o que nos ocorre, quando pensamos no Danças com Lobos? Dói-me o rabo e já não tenho posição? Quando é que isto acaba que preciso de ir fazer xixi? Quem me dera que os sioux morressem depressa, enquanto ainda me interesso? Sim, tudo isso.

(agora as perguntas que interessam: 1 - o que é que estreia para a semana e 2 - vale a pena ir ver o Ágora? agradecida)

sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Juro que nem sou nada destas m€rd@s

Não sou féchion victim. Não sei bem o que é nem para que serve uma féchionista. Não colecciono etiquetas, sejam elas sinónimo de prestígio, de andar na moda, ou de estilo.

Na verdade, sou uma pechincheira que assusta: faço sempre óptimas compras em saldos e frequento outlets. Chego ao cúmulo de ir às lojas na véspera dos ditos saldos e promoções, fazer a selecção.

Mais uma: ainda hoje choro os €60 que dei por uns jeans salsa, que me ficaram largueirões e sem forma, e os que mais visto e adoro custaram-me €15 (sim, quinze) na H&M.

Só compro caro e de marca se for sinónimo de qualidade, e se a peça for daquelas intemporais. Assim, já faz sentido o investimento. Tenho uma ou duas que cabem nesta categoria, e foram adquiridas em saldo. Os do El Corte Inglés, fica a dica, chegam aos 60%, arranjam-se cenas bem boas.

Já malas e sapatos, abro mais os cordões à bolsa: areja a traça. Nã, é porque são cenas que têm que reunir vários requisitos: qualidade, durabilidade, conforto, funcionalidade. E eu gostar mesmo, mesmo muito.

E tento comprar só o que preciso. Concedo que preciso de mais coisas do que seria sensato, mas tento não me esticar. Muito. Pronto, não compro tudo o que me apetece. Penso nas férias, e afinal não custa tanto.

Mas, volta e meia, aparece-nos um produto à frente que nos dá um aperto na aorta. Inexplicavelmente, fica-se a arfar, arfar, e o cérebro bombeia apenas uma mensagem: "tenho que ter aquilo, tenho, tenho, tenho".

Aconteceu-me com estas galochinhas burberry:


Ando há quinze dias a conter-me para não dar uma corrida à Avenida da Liberdade ou as encomendar da net-a-porter. Nem são por aí além caras (há sapatos féchion a preços bem mais escandalosos e que eu nunca pagaria) mas toda a parte racional do meu cérebro (são dois neurónios, bem contados) me diz que é um disparate que não se justifica. Se quanto às botas Ugg estes neurónios ganharam numa semana, no que respeita a estas galochas está a dar luta o impulso consumista.

(O facto de estar de chuva não ajuda, admito)

Estado de Espírito


quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

Fraquinha de cabeça

Hoje, por volta desta hora, a minha pessoa interroga-se sobre o que fez hoje que justifique o seu ordenado;
Hoje e agora, a minha pessoa questiona-se porque não consegue pensar dois minutos seguidos no mesmo assunto;
Hoje a minha pessoa limitou-se a, basicamente, aquecer o assento da cadeira;
Hoje, a minha pessoa esteve o dia inteiro a ouvir Cure, fumar cigarrinhos, e a olhar para um cursor a piscar na folha de word;
[isto quando não jogava só mais um jogo de spider, páro quando ganhar]
Hoje, a minha pessoa aponta-se o dedo como uma fraude, um engodo;
Hoje, a minha pessoa reflecte que não merece ir para casa, porque não fez nada que lhe justifique a condicional.

Hoje, a minha pessoa só está à espera de ver entrar por aqui dentro uma resma de agentes da pêjota, gênêrrê, pêéssepê, azai e cêésseí,
vê-los selarem-me a secretária, apreenderem-me a papelada, algemarem-me enquanto um jornalista do 24 horas fotografa tudo,
e levarem-me para uma ramona por entre apupos de uma população enfurecida,
e eu ali, de cabeça baixa, a pedir perdão por existir, ser uma valente calona, que prometo não reincidir e amanhã trabalho a sério e penso e tudo, mas que tenham piedade, mesmo sabendo que não a mereço.

Hoje, isto não correu nada bem.

Lá em casa o santo ó-ó é levado muito a sério

E fica explicado o que estava a fazer quando a terra tremeu. Ninguém acordou, ninguém sentiu, ninguém buliu.
Pouco instinto de sobrevivência, certo, mas dormir é um acto sagrado, na minha religião, e eu quero merecer a vida eterna num colchão de água e edredon de penas, amén.

Já há uns anitos foi diferente, que o local de trabalho é alto e senti-o bem. Para além do cagaço que é sentir tonturas e a cadeira (tem rodinhas) a mexer sózinha, fez-me distrair do trabalho durante uma boa hora. Eu, que não sou nada disso, de me dispersar e desconcentrar. Nunca.
(Hã? DissesteS?)

quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

A arte da guerra

A semana passada comecei a ter uma comichãozita no lábio inferior e truclas, advinhei-o logo. Pensito compeed aplicado, no dia seguinte já cicatrizava, maravilha. Rejubilei, pois claro: nunca tinha vencido o malvado com tanta rapidez, tanta eficácia e tanta dignidade. Mal se notou a vilania.

Pois ontem, andava eu afadigadíssima, sinto a mesma inconfundível comichão, desta feita no lábio superior, bem junto ao canto da boca.
Ah, cão, ah, vilão, 'péra aí que já te digo.
Abre gaveta e cadê caixinha compeed? Bolas, ficou em casa. Nada a temer: tenho o tubo de zovirax na bolsinha, que mulher prevenida vale por duas e meia.
Chug, chug e sai... nada. Ó tormenta! Que se me acaba o zovirax logo agora? Fideputa ruim, aqui d'el rei, valha-me a guarda!

Chego a casa e planto o compeed, mas já é tarde de mais: a borbulhonga já atingiu o seu zénite de nojice, agora é esperar que se cumpra a ordem natural das coisas. Ganhaste, vírus dos infernos, filho de uma cadela ruim e tinhosa. Mas só desta vez: vou comprar mais uma caixa, fica uma em casa e outra anda sempre comigo. Uma batalha não é a guerra.

(só a mim é que havia de sair um herpes labial com pós-graduação em estratégia militar)

Da falta de ouvido

É nestas alturas que tenho pena de não ter jeito para a poisia nem ouvido para a música. É que hoje compunha-vos um fadinho que não havia um olhito seco na audiência.

sábado, 12 de Dezembro de 2009

"Isto para os idosos foi horrendo"



Pois eu cá adorei a peça. Tem palavrão que ferve, é verdade, mas é uma coisa tão bem escrita, tão bem interpretada, tão fresquinha neste país a cheirar a naftalina...
Por isso, não me admira que a excursão do Inatel tenha tido esta reacção. Depois de 40 anos a vegetar na gaveta, entre mofo e naftalina que se foi entranhando nas sinapses, deram-lhes com a liberdade de expressão sem antes os terem ensinado que liberdade implica respeito e responsabilidade. Tinham a opção de sair, mas era muito melhor estragar o espectáculo a toda a gente, não era?

À próxima, vão ao La Féria, ou ver a sôdona Eunice. Não ofende, entretém, e o primeiro até dá para bater palminhas.

quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

A sério, não percebo porque ainda tentam

"Limpaste a loiça antes de a arrumar?"
"Sim, sim"
(as poças de água no armário, são de um cano roto, certo?)

"Já desligaste o computador?"
"Sim, sim, está agora a encerrar"
(a luz do ecrã de encerrar é azul e não branca, boa?)

"Já ligaste à tua mãe?"
"Hum, hum"
(no comments)

"Então compraste este livro/cd/dvd/ipod/lego/whatever e arrumaste na estante sem me dizer nada?"
"Foi hoje mesmo" ou "Já me tinha esquecido"
(sim, pois, claro, obviamente)

Só para que não restem dúvidas: la kriptonite, c'est moi.
Uma franzidela de olhos, um cruzar de braços, e é vê-lo a confessar tudo, tudinho.
(porque é que ainda não fui contactada pela CIA para acções de formação, é um mistério)

Ele, sobre ela

"És a minha kriptonite"

(a propósito de lhe ter topado uma tanga. nada de importante: coisas caseiras de "já fiz" e não fez coisa nenhuma)

Note to self

Deixar de marcar livros com o primeiro papelucho ou objecto que tenho à mão.

Da próxima vez, levantar o rabiosque anafado e procurar algo adequado. Que não é, com toda a certeza, o telemóvel, relógio, caneta, lápis ou o aviso de cobrança do seguro do carro.

(é verdade, encontrei-o: dentro de um livro. foi também dentro de livros que já me aconteceu "perder" alguns dos outros objectos mencionados)

segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

De cabeça perdida: a demonstração (não muito científica, mas é o que se arranja)

- Esqueci-me de pagar o Imposto de Circulação do me-mobile (o prazo terminava em 30.11. tratei disso ontem, com uma semana de atraso);

- Não tenho a certeza se paguei o IMI este ano (ao contrário do que é costume, não agrafei o talão de multibanco ao documento de cobrança. no site das finanças não estou assinalada como tendo alguma execução em curso, por isso, às tantas, até paguei. a excitação, o suspense, o coiso);

- Deixei passar o prazo para pagar a taxa de esgotos (uma m€rd@, em todos os sentidos. agora, só nos serviços da câmbara, o que é coisa para me levar uma manhã inteira);

- Não faço ideia onde arrumei o documento de cobrança do seguro do me-mobile, e vence dia 20 deste mês.

A minha vida é uma alegria, e não ganho para contratar um/a secretário/a particular. Mas bem precisava.

sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

De cabeça perdida

Não me lembro onde a arrumei, da última vez que a utilizei.


(a quem diz que o trabalho dá saúde, faça o favor de pedir uma segunda opinião.)

segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Tcham, tcham, tcham, ta na nam, ta na nam*

Montadinho ontem:


Depois ainda me admiro de me acharem um tiquinho de nada esquisita.

(*marcha imperial, claro)

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Ainda os anos 80

Ali abaixo lembrou-me a Hipatia as mitenes dos Porfírios. Claro que tinha umas - pretas, como é de ver. Chamava-lhes era "luvas sem dedos", que nisto de dar nomes às coisas o pessoal do sul é mais complicadinho que a malta do nuórte (sim, que um cabide é um cabide, uma cruzeta uma cruzeta. e nem vamos falar no aloquete, o meu preferido).


Pois tão giras como as dos Porfírios, já não há. Mas este ano, e apesar do enjoo que é a onda de revivalismo que encheu as lojas de roupinha ultra-horrorosa à la anos 80 (pá, já vesti, há 20 anos, never again!), abri uma excepção para estas mitenes, compradas no H&M.



(passar à frente e não comentar os dedos rechonchudinhos e curtinhos, S.F.F. é herança de família. já sei que não posso ser pianista, também faltava-me o ouvido musical, calha bem.)

Giras, hein?

Não sei se já disse

Adoro o outono.

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Prémio nobel da barbárie

Vinha esta manhã a ouvir a TSF, a ver se ficou um bocadinho mais bem informada, e acabei por ficar só um bocadão mais enjoada. Parece que se anda a negociar um tratado internacional com vista a proibir e eliminar as minas terrestres e, alinhando com outros países fantásticos, maravilhosos e conhecidos pelo seu respeito pelos direitos humanos, os EUA também não querem assinar. Motivo: ficariam impedidos de ajudar os seus parceiros nas suas lutinhas tão relevantes. Tradução: vamos lá agora fazer uma partida dessas à nossa indústria de armamento.


Ora não sei se ainda há alguém a viver na ignorância, mas a mina terrestre é, de todas as armas usadas nesta bosta de planeta, uma das mais insidiosas e obscenas. A mina em geral mutila mais do que mata. Ele há até pessoas que, podendo usar a massa cinzenta para algo que se aproveite, decidiram dedicar-se à nobre actividade de inventar minas que - precisamente - não matam, mas aleijam. E muito. Parece que as ditas só atiram estilhaços na horizontal, pelo que adeus pernas, mas a pessoa fica ali estropiadinha. E se não morrer de hemorragia ou septicémia, sempre fica o aviso para os demais, em forma de panfleto vivo. E - esta é verdadeiramente pornográfica - há minas com forma de brinquedo. Sim, senhora. Nem é preciso explicar mais nada, pois não? É que, ainda por cima, as maiores vítimas das minas terrestres são os civis, mulheres, crianças, todos; ficam reféns de certo território, cercados por aqueles objectos invisíveis e impedidos sequer de fugir.

E quando acaba o conflito, alguém desenterra as minas? Népia. Essa agora, só o trabalho; se nem sequer têm mapas de localização das ditas, quanto mais. E pronto: durante anos, décadas, é a população civil que vai fazendo a desminagem, rebentando-se aos bocadinhos nas armadilhas plantadas por tarados e lunáticos.

Nos Estados Unidos da América não há minas, supomos. Credo, isso é coisa de selvagens. Os selvagens a quem dão uma, pronta a armadilhar e mutilar, se a guerrinha em que se empenham lhes puder trazer algum benefício.

Mas, perguntam os mais ingénuos (eu, por exemplo), os EUA não são governados por um indivíduo que podia isto e aquilo, e por tanto querer e poder até lhe deram um cheque em branco da paz? Olha, pois é. Em calhando, é o mesmo indivíduo e que ainda não encerrou Guantánamo (não sabe resolver o problema que os EUA criaram, e anda a pedinchar a outros países para lhe ficarem com os prisioneiros - nós já cá temos dois), nem ratificou a Convenção Internacional dos Direitos da Criança (é verdade, a convenção tem 50 anos, consagra direitos tão básicos como o de uma jurisdição própria para menores e - surpresa! - não é aplicável nos EUA. ou seja, um menor pode ser julgado como adulto e até condenado à morte, em teoria) .

Sim senhora, o baluarte da civilização e da liberdade, terra de oportunidade e não sei mais o quê. Bra-vo.




(é o que dá pagar adiantado, é-se sempre mal servido)

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

80's party (ou maldita nostalgia)

A Hipatiazinha pediu, eu obedeço, que sou uma mecinha muito bem mandada. Sucessos dos anos 80, diz ela. Ora cá vai (sem linque, que não tive tempo, desculpa lá).

E dividido em 3 topes diferentes:

The Super Cooooool (e que ainda hoje é bom, não me lixem)

- Planet Earth - Duran Duran
esta abre, para mim, os anos 80. ouvi-a mesmo no dealbar da década, ainda na 4ª classe, e foi aqui que começou, para mim. o som, os cabelos ripados e empestados de laca, as calças largas e olhos muito maquilhados. yay.

- Girlfriend in a Coma - The Smiths
ah, a bela depressão, l'ennui, o enfado urbano. como a dupla Morrisey/Mars o souberam interpretar - até na zanga final.

- Guilty - Spandau Ballet
uai, sou diferente e tal, ver acima.

- Close to Me - The Cure
eu queria ter um cabelo como o do Robert Smith. não conseguia, seria preciso uma lata de laca cada dia.

- Saudade - Heróis do M ar
eu queria roupa do género da deles, mas o pilim não dava para mais que os Porfírios

(e ainda havia Marillion, Echo and the Bunnymen, e mais um ror deles, mas não temos tempo)

The Lame (ou eu até tenho vergonha de dizer que gostava disto, mas é popezinha muito razoável, tá?)

- Nick Kershaw - Wouldn't it be good

- Ah-a - Take on me

- Pet Shop Boys - You are Always on my Mind

- Erasure - Sometimes

- The Communards - Don't Leave Me This Way


The Horror, The Horror (os meus guilty pleasures, que vergonha)

- Meatloaf - I Would do Anything For Love (but I won't do that)

- Bonnie Tyler - Total Eclipse of the Heart

- ZZ Top - Legs

- Kate Bush - Wuthering Heights

- Dire Straits - Tunnel of Love


Nada mal, hein?
Vá, ide lá ao youtube ver isto, e depois voltaide para me chamar nomes.

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Ah, o doce sabor da validação

Uma pessoa percebe que tem muitíssima razão nas opções e direcções de vida que toma quando, depois de ler num baby blog* os desabafos de uma mãe sobre seu petit (e, supõe-se, amoroso rebento), a primeira ideia que lhe passa pela ideia é diagnosticar a situação como mimalhice aguda e recomendar a aplicação de um valente chute.
Depois de ler os comentários de mais mães extremosas, parece que não, que não. Que não é nada disso.

(aqui há dias uma colega, já com descendência, dava-me uma prelecção sobre a urgência maternal e um tal de relógio biológico. respondi-lhe que ou eu tinha vindo sem, ou já tinha avariado. ela não acreditou. tadinha.)

(não estou a brincar. depois da primeira noite sem dormir por causa de um puto aos berros, afogava-o na banheira. psicose pós parto? oui, c'est moi.)

(mas gosto de crianças, gosto sim. em part time. é tão bom ser tia.)

(*claro que não deixei comentário, pá, eu ainda tenho a noção. às vezes.)

Estou que nem posso




Queres ver que na Páscoa a gente ainda se enfia num avião e vai a correr lá, a ver isto, que até estou aqui a hiperventilar desde que soube?


(cuméquié, adiamos Paris? hum, xuxu?)

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Sugestões Natalícias

O livro do Medina Carreira e uma cápsula de cianeto.

(para dar e não para receber, claro)

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

'zatamente


E além disso (não sei, ouvi dizer) dá para calçar meias de pintinhas, risquinhas, bolinhas e por aí fora.

Esta foi uma estreia

Apitaram-me por não ter passado o sinal vermelho.

(um dia destes começo a andar com uma tábua com pregos ferrugentos no carro)

As explicações acumulam-se


Vínhamos há pouco a discutir no carro sobre séries de comédia. E eu, perante a indiferença dele face a uma em especial, lá retrucava"man, a Murphy Brown era espectacular. Adorava, eu cresci com aquilo. Eu queria ser a Murphy Brown."
E, de repente, a epifania. Eu queria ser a Murphy Brown. Investigar os porquês e as causas das coisas, entrevistar (e entalar) grandes líderes mundiais ou do meu país, fuçar, descobrir, investigar, saber mais e melhor.
A maioria das mulheres que conheço e com quem me relaciono (me insisto em relacionar) sonhavam ser a Carrie Bradshaw.
É verdade que hoje não sou uma Murphy Brown mas, definitivamente, estou mais perto desta (mas em bem vestida, lol) que de uma Carrie. Acho graça às Carries desta vida, isso acho, mas cansam-me tanto. Depois de pelar a demão (fininha, fininha) de tinta rosa choque glitter com que se cobrem, depois de esgotadas as conversetas superficiais sobre modas, relacionamentos e suas grandes verdades, o que fica? O que têm lido, o que têm aprendido, o que têm feito? O que pensam do que se passa, o que há por fazer? Pois.
(e vocês, quem foram os vossos modelos, hein?)

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

De caminho, é ver este filminho



Que é muito janota. Gostei muito, mesmo. Bela ficção científica, e mal se dá pelo cgi (hurra!).

E não vou mandar mais bitaites, que tenho medo de revelar o que não deveria.

Para quem acha graça a estas cenas, o realizador - Duncan Jones - é filho do David Bowie.


(só adianto que se eu tivesse que dar um curso de sensibilização a chefias sobre questões de trabalho, escolhia este filme para exibir. depois mandava-os escrever uma redacçãozinha, e dava choques eléctricos - com aquelas cenas com que martirizam o gado - a quem não tivesse atingido a mensagem. e é só.)

Tendência para a asneira



A princípio, achei graça: parecia uma excursão de repetentes mal comportados, todos vestidinhos de igual, a cantar (urrar) os mesmos slogans e cantigas que não se entendem, e a dar conta da paciência dos senhores professores, que neste caso eram os simpáticos polícias que os escoltavam. Até tirei uma fotografia, para depois mostrar a me mate. Perdi logo a vontade de rir quando me lembrei que, ao contrário do que era habitual, hoje também ia apanhar a linha azul.

Dei uma corridinha escada abaixo, que estava a chegar o metro, e entrei na última carruagem. Na ponta contrária lá estavam, umas dezenas de bósnios altíssimos e de lata de cerveja na mão, aos pulinhos e a cantar. Nervos, pá, porque é que esta gente não espera até estar na arena, er, estádio? Assim de longe não parecia haver polícia na nossa carruagem, mas não havia de ser nada.

Eis que o metro larga da estação e um latagão loiro de metro e noventa, óculos tipo ray ban e cervejola na mão começa a apagar as luzes de tecto. Eu nem sabia que tinham interruptor, calha bem, e este patifório, aqui chegado nem há umas horas já anda a sabotar o meu meio de transporte colectivo preferido. Meia carruagem às escuras, o biltre a caminhar corredor fora a apagar luzes. Os passageiros não arriscam mais que uns "então, então!", como se o neanderthal os conseguisse entender. Já quase ao pé de mim há um velhote que o intercepta, lhe toca no braço, aponta para que ele volte para trás, refila alto e bom som. O bisonte cresce para o velhote, estão peito com peito. E eu a ver aquilo a acabar muito mal, que mais ninguém se mexe, tanto homem de barba rija a bordo a fingir que não é nada com eles.

Não sei o que me deu, juro que não sei. Foi uma irritação que subiu por mim acima, um "isto não pode ser!", uma urgência que já senti noutras ocasiões - e sempre com resultados hilariantes (embora não do meu ponto de vista). Meti-me à frente do animal, entre ele e o velhote, de braços abertos, palmas abertas e para fora: "stop it, you can't do that! go back, go back now". Senti-lhe o bafo a cerveja quando, olhando para baixo me interpela, com um ar desdenhoso: "what are you gonna do about it?". Eu sabia lá o que ia fazer, ainda não tinha tido tempo para pensar nisso, ora que porra. Mas, no barulho das luzes lá lhe gritei "I'm going to call the police, you have no right to turn out the lights, go back and stop doing that!". O mamute hesita e é então que, quiçá por orgulho viril ferido, quiçá por se terem apercebido de que yes, we can, alguns homens levantam a voz, o empurram e o rufia lá segue para ao pé dos seus.

Nos Restauradores saem, voluntariamente, mais de metade dos tugas que iam na carruagem. E eu fico. Que era o que mais faltava, mostrar medo a esta gente. E sigo até à Rotunda, apesar de a polícia ter passado a palavra que, para nossa segurança, os portugueses deviam sair do combóio. Se calhar são os bósnios que pagam os impostos de onde de paga o ordenado deles, sim senhora, havia de ser bonito. Era o que faltava, em Portugal ter receio de brutamontes estrangeiros, e a minha polícia não me poder proteger. Bonito.

Umas duas horas depois a adrenalina baixou, e o raciocínio voltou. A imagem de um nariz partido veio-me à ideia. Uma cabeçada valente, parece-me que foi o mínimo que eu arrisquei.

Acho que vou fazer um seguro de danos pessoais.


(e fartei-me ouvir ralhar. me mate tem razão, apesar de ele admitir que, estando lá, se calhar fazia o mesmo. casa de tontos.)

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

É que já faltou mais

Qualquer dia inauguro aqui no estaminé uma rúbrica que vou intitular "A Badocha Aconselha".
Assim género blog féchion, mas para aquelas mulheres que, mau grado se enquadrarem nos índices de massa corporal (IMC) ditos adequados, não conseguem arranjar uma porr@ de um trapo féchion que lhes caia bem.

Tipo truques para manter a auto estima em cima, locais onde se pode comprar o melhor chocolate para consolar depois de uma (frustrante) ida às compras, e dicas sobre lojas amigas da diva roliça.
E, quando necessário, também uns conselhos ao amável comerciante de trapinhos e outra parafernália destinada a vestir.

E começo já uma: que tal uma petição para começarem a fabricar meios números também em roupa? Hein? É que hoje descobri (da pior maneira, as usual) que visto o 41 da Lanidor.
(a história da minha vida: nunca me enquadro nas medidas standard, raisparta isto)

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Pode parecer que estou a bater no ceguinho




E estou mesmo.
Ide lá comprar um french tickler e divertide-vos.

Ninguém entende, ninguém liga, ninguém dá um abracinho ao ateu



Eu até nem sou de polémicas, que não sou, pelo menos aos fins de semana que é quando baixa a preguiça e se me dá a letargia. Mas quanto ao assunto fracturante e premente dos Cristos dependurados nas salas de aula, tenho que dizer de minha justiça.

Aqui a menina (decerto derivado a uma tremenda falha de carácter de seus papais) teve uma educação agnóstica. E começou logo pelo princípio, não me tendo sido dado o sacramento do baptismo. Não foi questão de papais temerem uma pneumonia, que nasci na primavera. Foi antes o quererem deixar ao meu critério a adesão a qualquer clube religioso, fosse ele qual fosse; e que, calhando, o fizesse livre, deliberada e conscientemente. O choque não foi grande, fora para a tia avó freira. Afinal já tinham casado pelo civil (sacrilégio! concubinos!), o que, ao tempo, já era escandaloso q.b. Uma vez que já estavam perdidos para a fé, também não admirava que arrastassem os filhos (que, segundo o livro de regras do clube católico, a Santa Madre Igreja, é aceitável, já que parece que os filhos pagarão até à 5ª geração os pecados da progenitura).

Em pequenita, e rodeada que estava de criancinhas mais bem educadas que eu (ou seja, que frequentavam a catequese) é natural que começasse a colocar questões, nomeadamente sobre a crença (ou falta dela) dos meus pais. Sobre a existência de Deus sempre foram muito sinceros: não sabiam. E também não se ralavam muito, na verdade. Mas, crentes que eram no contraditório, não me deixaram de informar sobre o que os outros criam. Que pensasse no assunto e formasse a minha opinião.

Claro que me explicaram quem tinha sido Jesus Cristo. Segundo a versão lá de casa, fora um homem muito bom, que pregava o amor entre os homens e a tolerância, e que tinha sido morto por espalhar estas ideias, tidas como subversivas. (uma espécie de Sócrates, portanto, mas deste só viria a ter conhecimento mais tarde, o que demonstra que se calhar alguma coisa de errado existe nas prioridades de educação). Mas ainda me esclareceram mais: para os cristãos ele seria o filho de Deus (e tinha ressuscitado), para os judeus apenas mais um profeta, e para outras pessoas apenas um homem bom.

Quando entrei para a escola primária, em 1977, na sala de aula lá estava, o homem bom, morto havia quase 2000 anos. Semi-nu, pregado numa cruz, a escorrer sangue da testa e das chagas. Bem por cima do quadro, era impossível ignorá-lo.

Aquilo incomodava-me, juro que me incomodava. Tinha seis anos e tinha que, todos os dias, ser confrontada com a imagem de um homem morto de forma especialmente perversa. Para mim, não era o filho de Deus que ali estava, mas uma vítima de tortura, ainda preso ao instrumento da sua morte. A figura não me suscitava exaltação ou gratidão pelo seu sacrifício, apenas horror e asco.

Ao fim de algum tempo claro que me habituei. Mas devo dizer que ainda hoje a imagem da cruz com Cristo lá pregado me causa asco. A exibição da dor e morte faz-me confusão, em qualquer circunstância. Nesta, parece-me uma vergonhosa exaltação do sacrifício, uma justificação do martírio, e um convite à veneração mais sabuja. Vede, vede, quem morreu por vós tristes pecadores. Que venerem a cruz, vá-se lá perceber porquê; mas ao menos tirem o homem de lá, que nervos (afinal fez coisas mais importantes que morrer, hein? tipo, concentrem-se na sua palavra, boa?).

E era escusado. Mostrem-no lá nas sedes do vosso clube, que aí mandam os membros e ateu não tem nada que mandar bitaites. Faz-me impressão à mesma, mas o problema é meu. Mas nas escolas ou em qualquer edifício público, tende paciência e recolheide lá as cruzinhas. Mesmo em hospitais, só se for nas capelas. Olh'aí, que já basta estar doente. É que (a sério, acontece) há mais gente neste mundo, e nem todos pensam como vós, maioria cristã. E que pense: o lugar do culto é nas igrejas. Ponto.

É que a tal tradição da cruz em todo o lado vem do tempo em que este ainda não era um estado laico, e até havia uma concordata a proibir os casados catolicamente de se divorciar e tudo. Já acabou, temos pena. Como (avisam-se os menos informados) também um dia deixou de ser tradição a mulher ser só esposa e mãe, um alongue do paterfamilias. Já para não falar dessa bela tradição do século passado que era a escravatura. Verdade. (e um dia, em continuando as actuais condições climatéricas, nem o bacalhau nos resta)

Olha, é evoluir. Para os que não acreditam na evolução, conformem-se.
Se são assim tão cristãos como pregam, acreditam que resignação é uma virtude, n'é? Pois pratiquem-na.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

How Fucking Romantic*

Estava aqui entretida a ouvir uma coisita quando me lembrei de lançar aos estimados leitores um repto: partilhaide, por favor, com esta vasta audiência, qual a vossa canção romântica preferida. Boas? Boas.

Melhor: indicaide o vosso top, seja ele ten ou three ( meu caso) de musiquetas que vos põem a sonhar, a lacrimejar, a suspirar pelos mais que tudo das respectivas vidas (pelos pulhas, não vale. depois logo lanço o desafio ao top das músicas dor de corno, que eu também as tenho, olaré, quem não tiver que atire a primeira pedra).

E eu atiro já as minhas preferidas:
- Papa Was a Rodeo - Magnetic Fields.
Não sei explicar, mas fico sempre com um nó na garganta quando a ouço. Não tanto pelo seu sentido literal (o meu pai não era, definitivamente, cowboy), mas pelo que significa, nesta longa e tortuosa estrada da vida (cliché alert), encontrar aquela pessoa. A nossa pessoa. Yay.

- Perfect Lovesong - The Divine Comedy
Esta é a canção de amor mai fofinha e tontinha e xuxuzinha de todas. Adoro-a.

- Eu Sei Que Vou te Amar - Vinicius de Moraes e Tom Jobim
Coisa linda, caneco.

Se entretanto me lembrar de mais, ainda digo qualquer coisa.
E vossas excelências, já a contar. Tudo, tudo, que eu quero saber, (espécie d'almas empedernidas, não vos comoveis com nada, hein, querem lá ver agora, se até eu que sou uma besta quadrada, vá lá a fazer um esforço)

*esta também é dos magnetic fields, um albunzinho chamado 69 Lovesongs. aconselha-se.

E mudemos de assunto, sim?



Daqui


Afinal, amanhã já é fim de semana.
E, como de costume, temos mais projectos que tempo, mas não há-de ser nada.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Depois deste post já ninguém acredita que eu até nem sou (muito) má pessoa

Nunca tive uma amiga de jeito. Amiga gaja, daquelas companheiras do nosso coração, que riem e choram connosco, consoante pedisse a ocasião. Uma amiga que me respeitasse por quem sou e, claro, que me aceitasse assim mesmo, taliqualinha, sem merdas. Até podia não me entender (põe-te na fila), mas que ao menos tentasse, com vontade; e, não conseguindo, não me julgasse, catalogasse, colasse a etiqueta na testa e encostasse à parede, junto das outras esquisitas.

Verdadinha, juro, nunca tive uma amiga que prestasse. Já tive (e tenho, acho eu) amigas, claro, mas coisitas leves, de ocasião, sem chatices que eu não estou para isso, ai que maçada a tua vida, adeus até à próxima que tenho um tacho ao lume. Destas, já tive muitas. Simulacros de amigas, para quem fui ombrinho a jeito, e que bem encharcado mo deixaram, tantas vezes. Depois, em precisando, viste-las, eu também não.

Já tive (e se calhar ainda tenho, olha a surpresa) amigas que já passaram meses sem saberem de mim, mal disfarçando o espanto quando sabiam as novidades, ai sim, aconteceu-te, tchi, nem me digas, e nem por isso lamentavam não ter estado lá. E depois estranham, estranham muito, que eu também não apareça, não queira saber, não esteja lá. Recriminam-mo, até; cobram-me telefonemas que também não fizeram, afectos que não dispensaram, atenção que não me votaram.

Também tive (e acho que já não tenho) amigas condicionais, que só estão lá se, se eu me comportar, se eu encaixar, se eu não disser o que não querem ouvir, mesmo que eu tenha ouvido antes tudo o que quiseram dizer. Que me atiraram toda a loiça suja à cara mas se indignaram com os pingos que enxotei na sua direcção, me desrespeitaram e se sentiram muito com a resposta. Que conseguem, querendo, ser muito cabras, obtusas, espetar o estilete, rodá-lo e arrancá-lo à bruta, e ainda dizer bem feita, que estavas a pedi-las.

Há dias em que tenho pena, noutros nem tanto; mas a verdade é que (Freud explicaria, mas não está aqui à mão) não consigo já sentir com elas (mulheres) grande empatia mas sim grande desconforto. Uma pessoa é olhada como bicho quase toda vida, e acaba a comportar-se como tal.
A gente habitua-se, sim senhora, mas nem por isso se conforma.

(está quase a fazer um ano que, pela primeira vez na minha vida, me "esqueci" propositadamente do aniversário de alguém)

Há dias

em que só um palavrão bem afinfado me acalma.
Hoje é (capaz de ser) um desses dias.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Copiona, invejosa, macaca de imitação



A Hipatia fez um e eu, que sou tudo aquilo que ali no título digo, não podia ficar atrás.

E esta sou maizoumenos eu, versão turista em Paris, aquele que espero ser o meu próximo destino de viagem (já estou a treinar os oh la li, oh la la).
Daqui

Acrescento já que sou muito mais gira, fofa, deslumbrante, atraente, magnífica e magra ao vivo. Ou não.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Egipto 2009 – The Ugly: Hurgada (é a última, ufa)

À nossa pergunta, o moço da agência entendeu por bem esclarecer-nos: parece que Hurgada é a Albufeira lá do sítio, e Sharm el Sheik é mais para quem aprecia mergulho e snorkeling. Estava enganado, enganadíssimo. Albufeira, mesmo no pino do verão, é uma maravilha, quando comparada com Hurgada.

Hurgada, deixem-me dizer-vos, é uma piolheira de primeiríssima categoria. Porque é que alguém decide torrar o seu dinheirinho laboriosamente ganho, apanhar um voo de seis horas, com escala, para ir fazer férias para ali, continua a ser um mistério. A não ser que vá ao engano, como nós.

Vamos por partes.
Hotel
Aqui tenho que fazer um mea culpa, mea maxima culpa. Tratando-se de uma viagem organizada, confiei que tudo estava bem, e que cinco estrelas seria bem bom. Não era. Não pesquisei nada sobre o resort, e teria bastado uma consulta no trip advisor para ficar com dúvidas. Nota para futuros viajantes: no Egipto, cinco estrelas correspondem a umas três, nossas. O serviço era péssimo, as instalações faziam lembrar muito apart-hotel em Quarteira (há 20 anos), a frequência já lá vamos. Ficámos num bungalow t1, é certo, mas nem isso atenuou o resto. Ai.

Hóspedes
Chegámos à hora de almoço, e ainda fomos dar uma volta. Pela pinta do pessoal que lá estava, tive logo a tirada (muito mazinha, eu sei) de “olha, é para aqui que vêm agora aqueles ingleses e alemães que iam para o Algarve”. Aqueles muito pé rapado, barulhentos e com ar de bairro social e que com a miséria do rendimento mínimo deles podiam apanhar um charter para Faro e passar 15 dias ao solinho – não sei se me faço entender. Mas não, não eram. Digamos antes que se tratava de white trash, sim, mas do leste europeu. Russos e sei lá que mais, e muito alemão. Da antiga RDA, presumo. Exemplificando. Famílias e crianças obesas, com cor de camarão e ar esquizóide. Reformados (e esposas) de meia idade, acabadíssimos, e com um ar de ex-funcionário do partido, Stasi, Kgb ou coisa que o valha. Tipos novos, de sunga (todos!), corrente de ouro ao pescoço, e acompanhados de loira alta e magérrima, com ar de stripper (ou pior) e poses a condizer, (vi uma na praia de salto alto, amarelo. a sério. não estou a brincar. e vestiam-se como se fossem atacar. juro. há putas mais discretas.) Maneiras: zero. Ao pequeno almoço e jantar, mais parecia que tinham aberto as portas a uma manada de esfomeados. Manápulas em cima do pão (olha o paninho… é para segurar no paninho quando se corta…), pratos a transbordar, bocas cheias, olhos ávidos. E a comida não era caso para isso, asseguro.
Enfim. Parecia que tínhamos caído no resort preferido da máfia russa. Cruzes canhoto. Mau aspecto que doía, e eu nem sou pessoa que se enxofre muito com estas coisas que sou menina para ficar muito bem num hotelzito 3*. Menos ali. Abaixo de super luxo, nem pensar. Livrem-se.

Praia
Finalmente, o que interessa. Imagino a inveja: hã, dois dias e meio na espreguiçadeira, hã, solzinho quente, hã, areia, hã, auguinha limpa e morna, hã.
Minha rica costa oeste. A água é fria, o mar impossível, mas é limpa. Verdade: lixo na praia. Tampas de garrafa, algumas garrafas de plástico, e muitos restos de tijolo, já batidos pelo mar. Esta explica-se bem: toda aquela costa é um imenso estaleiro e mar de construção que nem no Portinho da Arrábida antes das demolições.
A praia nem era digna desse nome. A areia era amarela escura e fazia lama com água (iaca). Parecia aquela areia de construção, a que se mistura no cimento.
O mar (suspiro). Mais lá para diante é capaz de haver recifes lindos e tal, mas ali havia era uma espécie de piscina de água de mar, rodeada por rocha, à qual se acedia por um passadiço. E onde se banhavam, ruidosa e espadinhadamente, os nossos queridos co-hóspedes. Era quentinha e super salgada, depois de dez minutos senti-me como um peixe em salmoura.
E é isto. Nem a gozámos devidamente, por causa do que se relata a seguir.

Ambiente e higiene
Já vi pessoal da Quercus a ter uma apoplexia por muito menos. Como já disse, toda a costa está pejada de construção. À balda, que planeamento urbanístico, viste-lo. Agora imaginem as descargas que vão para aquele mar. Isto para quem admita existir saneamento, que eu já não digo nada.
O sentido de higiene é o habitual para um egípcio, ou seja, pouco. Sim, apanhei uma intoxicação alimentar de proporções inimagináveis. E se eu tinha cuidado com o que comia e bebia (nada de fruta nem legumes crus, água só de garrafa selada). Dois dias depois de chegar cá ainda pensava erigir um altar ao Santo Imodium, e passei os dois últimos dias lá a pão e arroz branco. Sobrevivi dez dias de Cairo e cruzeiro no Nilo (onde desconfiávamos estar a tomar banho e café com a água do dito), para ir (literalmente) morrer na praia.

Portanto, quanto a Hurgada, nevermore.
Se fizer muita questão de ter umas fériazinhas de praia (que não faço, há tanto mundo para ver), em local aprazível e paradisíaco, mais depressa me apanham no Mediterrâneo ou Caraíbas (mesmo com o inconveniente do jet lag) que por ali.

(e deixei por contar, mas conto, a seca que é aturar toda a oferta de serviços, e como somos constantemente importunados para fazer massagens / ir na excursão tal / cabeleireiro com depilação / aulas de mergulho / spa / raio que os parta. E fomos ainda, numa de national geographic, ao vilarejo mais próximo. aventura a esquecer, com tentativa de extorsão por parte do motorista de táxi e amigalhaços do bazar onde nos largou. perto daquilo, fazer compras no Martim Moniz sabe a um shopping spree na Avenue Montaigne)

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Egipto 2009 - The Bad - Parte 2: O que é que o Egipto (não) tem

Democracia a sério (presidente há 20 anos, portanto sem limitação de mandatos: enough said. bastava a imagem, por acaso. presidente de ray ban e em cartazes, só aqui e na América Latina), emprego e assistência social, infra-estruturas de saneamento (as baquetérias egípcias são de força, só vos digo. o meu sistema digestivo jamais será o mesmo), recolha de lixo (tanto lixo, cruzes credo), planeamento do território (um construtor civil português deve chamar àquilo o paraíso), controlo de tráfego e segurança rodoviária (não atravessem estradas com mais de duas faixas no Cairo. trust me.), educação para todos de jeito (afiançaram-nos que apesar de o ensino obrigatório ser de 12 anos, é treta, só se safa quem tem guita para frequentar escolas privadas), saúde universal e gratuita (parece que não, mas afinal se os U.S. of A. também não têm, qual é o problema?).
Portanto, como é que vamos de distribuição da riqueza gerada pelo pitróil e turismo? Mal, muito mal.
Mas ao menos temos um presidente que vela por nós, pobre povinho. Olhaide o seu ar magnânimo e benevolente. Coisa maiboa.



E esta é a moda feminina primavera-verão-outono-inverno. Praticamente não há mulheres de cabeça descoberta - para além das hospedeiras e algum pessoal de aeroporto, não me lembro de ver.
O primeiro a falar-me a multiculturalismo e relativismo cultural leva uma galheta. Só é uma opção quando existem alternativas e uma pessoa é livre para decidir num ou noutro sentido. E este é só um sinal dos tempos: o Egipto não será o país mais fundamentalista da zona, mas se isto é o exemplo do liberal, ai jasus.


Nunca vi tanto animal vadio. Gatos, principalmente, que o bom muçulmano caracteriza-se por não ser uma dog person. E o estado dos burricos e cavalos, usados (literalmente) como bestas de carga? Taditos dos bichos.
Mas para quê surpreendermo-nos? Se os direitos humanos são mal respeitados, e os direitos das mulheres são quase inexistentes, alguém vai pensar sequer nos direitos dos animais?

(não, não falo da religião. ouvir um muçulmano falar da sua religião arrepia. os olhitos lampejam, a voz toma fervor. para quê viver sem religião, muitos diziam. bom, eu não lhes ia explicar. que há quem ache que um ateu devia ser lapidado sumariamente, e eu tinha pessoas e coisas para voltar, por cá).


quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Mine, mine, mine!


E, de repente, já temos programa para o fim de semana que se avizinha.

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Não há condições

Se é maluco, calha-me a mim. É certinho, nunca falha. Pode ser a psicose ou esquizofrenia mais paranóide possível, ou uma leve neurose polvilhada de depressão, que é à minha secretária que vem cair ou à minha porta que vem bater. Qualquer dia elaboro um ranking, para que as minhas queridas colegas não duvidem da minha palavra: umas quadrículas à frente de cada nome, para assinalar o nome do paciente e patologia que parece evidenciar. No fim do ano falamos, e eu vou já escolhnedo o meu prémio, vale?
Tantans, pílulas, esquizóides, maníacos, senis, atrasadinhos, tarados ou simplesmente descompesados, vinde a mim, mas não me chateaides muito. É que a modos que esta cabecita também é fraquinha, fraquinha; e se me arreliaides mais que a conta qualquer dia tenho boleia para casa numa carrinha branca com risquinhas vermelhas de lado.

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Da série "Isto sim é um vampiro (com estilo)"

Para que não restem dúvidas:


Nosferatu, by Murnau


Bela Lugosi, by Tod Browning


Gary Oldman, by Coppola



Christopher Lee, by Hammer




Count Dukula, by Disney



Von Count, By Jim Henson.


I rest my case.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Finalmente vi este filme


E há tantas, tantas coisas para dizer. Nenhuma delas simpática.

Me mate ainda está em estado de choque - não consegue ultrapassar o facto de os vampiros andarem na rua de dia, e serem visíveis em espelhos. Ele é old school (Bela Lugosi High, Class of 1931), nada a fazer.

Já eu fiquei maravilhada por tantos teenagers a acharem a história de amor do século, uma em que o gajo deseja - literalmente - comer a gaja. Mas resiste, se resiste. O subtexto sexual é magnífico, ou não fosse a autora mormon.

Também nos suscitou algumas ideias. Tipo uma petição online para pagarem aulas de representação à miúda, por exemplo.

Ou então, um jogo: cada vez que a chavalita começar a tremer os olhitos e a piscá-los, ou a fazer boquinhas (acho que no dicionário de representação dela isso vem assinalado como forma de transmitir sofrimento ou inquietação ou surpresa e sabe-se lá que mais emoções), bebe-se um shot de vodka. Ganha quem aguentar mais tempo. Se alguém chegar ao fim do filme de pé e acordado, é o maior, e sugere-se que não conduza: poderá estar rés-vés Campo d'Ourique do coma alcóolico. Se alguém chegar ao fim do filme sóbrio, é castigado com chibatadas, por não ter estado com atenção.

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Tá bem, abelha

Cita o José Rodrigues dos Santos, na sua entrevista à Visão, um dito de sabedoria budista, segundo o qual o segredo para passar a vida sem trabalhar é fazer-se o que se gosta.

Nada a opor.

Mas tenho a acrescentar que o segredo para se fazer o que se gosta é ser-se filho de gente rica.

(tenho p'ra mim que fui trocada na maternidade e anda por aí alguém a gozar o ócio que devia ser meu)

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Egipto 2009 - The Bad - Parte 1 (da segurança, ou da necessidade dela)

Polícia do Turismo (a micar a turista que está a micar o polícia) com Lago Nasser em fundo.


O Egipto é um alvo terrorista. O ataque mais tristemente célebre ocorreu em 1997, em Luxor, no templo de Hatshepsut, e ali morreram 63 pessoas, 59 das quais turistas. Posteriormente, já houve mais ataques, à bomba, em Sharm el Sheik, Dahab, Cairo. Por causa do massacre de 1997, o governo egípcio reorganizou toda a segurança relativa à actividade turística: foi criada uma força especial, a Tourist Police (uniforme branco, normalmente muito encardido), e acabaram os cruzeiros entre o Cairo e Luxor (pena). Toda a actividade de turismo é fortemente vigiada e organizada, a fim de evitar outros triste eventos. Há que proteger a galinha dos ovos de prata (ei, eles têm petróleo, essa é a dos ovos de ouro. negro.), e não se poupam a esforços.

Será?

Não quero assustar ninguém, mas depois de 15 dias por lá, dezenas de monumentos visitados, dois barcos, dois hotéis, e quatro aeroportos, é mais o fogo de vista que a eficácia. A segurança nos aeroportos, principalmente os de voos domésticos, é appalling. Uso a palavrita inglesa porque é a que, não só em termos de significado mas principalmente de sonoridade, melhor descreve a coisa. Experimentem visualizar um inglês a dizê-la: tal e qual. Quem já passou por Heathrow acha aquilo tudo inacreditável, nem na Portela.

Exemplificando.
Uma das vezes deixei um cantil cheio de água na bagagem de mão. Esqueci-me completamente, que passávamos a vida a fazer e desfazer malas. Dei conta do engano quando chegámos ao destino. Sim, passou no controlo.

Outra vez foi a embalagem de protector solar que ficou na mochila. Dei por isso a tempo, mas não a ia declarar, custou-me para cima de 20 aérios. Bingo: passou. Aliás, é usual ver passageiros na sala de embarque com garrafas de água na mão. Sim, com líquido. Devem eles pensar que são todos brancos, não se explodem uns aos outros. Tá bem abelha, até ao dia.

Há detectores de metais, claro, mas os ditos passam a vida a apitar e já ninguém liga: à uma, só quem quer tira o cinto (nunca o tirei) e ninguém se descalça (eu não vi). Se houver uma mulher no pessoal, lá nos revistam (num aeroporto não havia, eu apitei, apontei para o cinto e deixaram-me avançar). Os homens são apalpados, sim senhora. Mas às vezes sem grande convicção. Às duas, os próprios guardas, armados (claro), passam a vida a passarinhar de um lado para o outro do detector. Pi, pi, pi. É a música ambiente. Inclusivamente, vi passageiros que já tinham passado a voltar ao átrio atrás do detector (isto em Hurghada). Palmas de pé.

Em todos os hotéis e barcos há detectores de metais, à entrada. Idem para os monumentos. Mas se é turista, pode apitar à vontade, que passa. Nós já fazíamos um jogo, o aposto-que-apito-mais-que-tu. Em alguns monumentos tinha que se passar a tralha (mochilas, máquinas) por uma máquina de raio X. Mas o pessoal que fazia a verificação estava num relax muito inusitado, as mais das vezes. E se a fila era muito grande, tudo passava, na boa e à confiança.

No Cairo havia ainda controlo de bomba: um canito cheirava todos os veículos e viam (às vezes viam, digo eu) a parte de baixo do veículo com um espelho, antes de baixarem os pilaretes da entrada do hotel. Menos mal.

Todos os monumentos são guardados por polícias de turismo. Ao princípio, impressiona, mas às tantas um gajo habitua-se a vê-los, de kalash debaixo do braço. Quanto mais para sul, mais guardas. E então começo a reparar no encardido das fardas, nas botas descoladas e rotas, nas atitudes fora de forma (encostadinhos à sombra, bruxo) e a pensar quanto ganhará aquela gente e qual a sua motivação para fazer um trabalho decente... mas disso também se falará noutro dia.

E depois, as caravanas. A turistada anda toda em rebanho: os barcos largam todos à vez, e sobem o rio em filinha pirilau. Para Abu Simbel, caravana guardada (por quem, não sei: só via autocarros de turismo, não dei por sermos acompanhados de escolta armada, mas vamos acreditar que lá estavam), que parte a horas certas e toda em filinha, a velocidade constante.

Às tantas, encolhe-se os ombros. Hoje em dia, não é tanto onde se vai, mas ter a sorte ou o azar de se estar no local certo ou errado à hora certa ou errada. Londres, NY, Madrid: pode acontecer em qualquer lado. Aliás em Londres e NY uma pessoa até sente mais o inquietante clima de paranóia securitária, de tal forma as forças policiais o transmitem. Sempre alertas. Mas, a acontecer alguma (lagarto, lagarto) fiava-me mais num polícia inglês, olé se fiava.

domingo, 18 de Outubro de 2009

Egipto 2009 - The Good

(Marion Ravenwood e Indiana Jones, em Abu Simbel. Que giros, esbeltos e altos ficam eles em sombra)

- Pirâmides: quem não se sentir esmagado (metaforicamente falando, claro, mas pelo sim pelo não não se metam à frente do pessoal dos dromedários - só lhes vi uma bossa) é pessoa sem imaginação e que mais valia ficar em casa a ver postais. Emoção total para os dois totós - um deles até entrou na de Quéfren, e não foi a claustrofóbica que vos escreve.

- Museu do Cairo: esquecendo a aparente desorganização que lhe dá ar de armazém, falta de ar condicionado, e não se poder tirar fotos (nem pagando), é de truz. Podia-se lá passar um dia inteiro, mas não tínhamos tempo. O tesouro de Tutankamon, uai. Uai.

- Templos de Luxor e Karnak: não desfazendo no primeiro (e em todos os outros que vimos e não vou enumerar), o segundo até tira a respiração. A sala das colunas (hipostila) é de fazer babar. Vide item da imaginação, já focado supra.

- Vale dos Reis (das Raínhas, nem por isso, mas também não se pode entrar no melhor, de Nefertari - só com autorização especial e pela módica quantia de €5.000) e Templo de Hatshepsut. Eu já sei dizer Hatshepsut como deve ser. Treinei uma semana inteira.

- Abu Simbel: o templo mais gore, claramente bélico e com cenas bem bonitas de prisioneiros subjugados pelo grande, único, e bruto Ramsés II - que, fora isto e não desfazendo, devia ser uma jóia de faraó. Até fez um templito mais pequenito para a sua favorita (Nefertari) ali ao lado.
Esmagador.

- Vale do Nilo: pela vossa rica saúdinha, se vão ao Egipto façam o cruzeiro entre Luxor e Assuão. Estiquem-se na coberta a ver a paisagem passar, de máquina em punho, e esperem pelo pôr do sol. Lindo.

- Lago Nasser: e respectivas margens, onde visitámos vários dos chamados templos núbios, resgatados às águas da albufeira formada pela barragem de Assuão. É o maior lago artificial do mundo, e onde diz que há os famosos crocodilos (não vimos nenhum). Em compensação, é do outro mundo andar no deserto das suas margens, e o céu estrelado à noite - melhor que no planetário.

- Mercado (souk) de Assuão: se querem comprinhas, esqueçam o mercado do Cairo (Khan Al Khalili) e forneçam-se aqui. À partida os preços são mais baixos, e a oferta maior (comprei vários lenços núbios, bem giros; a joalharia núbia é linda mas bem cara e por lá ficou). Os vendedores são menos melgas que no Cairo (ou nas várias paragens ao longo do Nilo), as ruas mais largas e maior o sentimento de segurança. Fomos lá (um grupo de 8) sózinhos, à noite, e voltámos ao barco à uma da manhã. E se eu sou caguinchas, pelo que nada temam.

- O Deserto: nunca pensei que houvesse algo tão belo como o mar. Há. É que o deserto é um mar. Lindo. Um gajo perde-se horas a contemplá-lo (três horas, para ser mais exacta, que é o tempo que se leva, de camineta, de Assuão a Abu Simbel. yep, ele dormia, e eu a olhar pela janela). E andar no deserto... uma emoção.

- A companhia: tivemos a sorte do caraças de, na primeira semana de viagem, darmos com dois casais de gente muito, muito porreira, muito no nosso comprimento de onda. E - nunca pensei dizê-lo - bem mais malucos que nós. Digamos que já fizeram o mestrado, e nós estamos a acabar o secundário. Além de porem a cabeça do guia em água (é muito giro, ver um tipo a preguejar em árabe - eu juro que praguejava, que a linguagem corporal é universal), foram uma companhia impecável e divertidíssima, e ajudaram a soltar e amotinar estes dois totós com muito pouca experiência em aventuras do género.

E do bom, ainda que resumidamente, estamos conversados.
O resto, bom, o resto. Ai, o resto.
(me aguardem com paciência, que também tenho que trabalhar)

sábado, 17 de Outubro de 2009

De volta


Desculpem lá qualquer coisinha, mas agora tenho
-um monte de roupa para estender e outro monte para enfiar na máquina;
-uma volta para ir dar ao meu rico Chiado, onde os preços são fixos e não há vendedores a esvoaçar à minha volta que nem moscas varejeiras;
-saber notícias do meu país, que há coisa de uma semana que não falo com um português;
-um Ben & Jerry para me lambuzar e esquecer a put@ da intoxicação que me atirou abaixo nos dois últimos dias;
-uma quase directa para contrariar, se adormeço é o fim da picada;
- que sair, passear, sozinha de mãos nos bolsos, a apreciar o poder fazê-lo, de cabeça descoberta, livremente, sem medo de esquizóides que olham para uma mulher como uma vaca parideira ou uma utilidade doméstica.
(se ali no norte já é assim, definitivamente, ainda não estou preparada para a África subsariana. que nas arábias sauditas e quejandos nem contemplo pôr os pés).
Volto daqui a pouco, com a habitual rúbrica de viagem (isto já parece um anúncio radiofónico) The Good, the Bad and the Ugly. Cheira-me que o último item vai ter vários capítulos.
Nota final: se os pilotos da TAP querem um aumento, dêem-lhes um aumento, for f#ck's sake. Depois de seis voos seis na Egyptair, acho que eles até merecem, como bónus, uma casinha na Quinta da Marinha, com piscina, court de ténis, sauna e spa.

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Até jazz

Como já ando farta e cansada do calor bolorento, húmido e doentio que por aqui faz, nada mais lógico que abalar para uma verdadeira fornalha, e por aí andar a comer pó, galgar calhaus e a cansar os pés por uma quinzena. Mas calhaus de categoria, asseguro, ou não datassem dos primórdios da civilização. A ver, antes que aquilo se desfaça em pó.

Pois diz que sim, que amanhã o abion parte pelas oito e picos, e lá pelo meio do dia já estaremos a uns milhares de quilómetros daqui. O regresso é já no outono (esperemos), e até lá, estimados leitores, desejo muita sortinha e que não votem no Santana Lopes, se faz favor. Não estou cá para ajudar a mandar o biltre de novo para o desemprego, mas tenho lá culpa que o prusidente tenha marcado isto depois de já termos o sinal pago? Falta de respeito, é o que é.

Os comentários ficam moderados, que eu nem vou ter acesso a água canalizada de confiança, quanto mais.
Se se quiserem entreter, podem-me encher os ditos com bitaites sobre o sitiozinho para onde vou, como é que arranjei mais quinze dias de férias e logo agora, e se volto com a) uma valente diarreia, b) doença de pele, c) um camadão de picadas de bichedo que nem sabia que existia, d) todas as anteriores.

Até já, e não façam nada que eu também não fizesse. (recomendação que não deixa muito espaço à imaginação, mas hey, vicky hey, amanhem-se).

quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Back to the future

Para qualquer alminha que tenha vivido a sua adolescência nos anos 80, esta advinha-se uma terrível estação, em termos de moda. A não ser que se seja uma pessoa nostálgica, claro. Que eu já sangro da vista cada vez que entro numa loja e dou de caras com tanta legging (nem nos 80's as vestia, que eu sou uma pessoa com princípios, calça justa preta é que era), tacha e aplicação metálica, animal print e o mais que se lembram. Já prometi a mim mesma não voltar a entrar na zara enquanto não chegar a colecção de primavera e, ainda assim, tenho medo, muito medo. Aquilo parece os Porfírios em 1987, mas em grande. Aterrorizador.

Para o pesadelo ser completo, só falta voltarem as luvas sem dedos*. Aí, congelem-me até ao ano que vem, por favor.

(*destas usei. processem-me ;P)

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Mantra diário

Mais vale uma iminência parva que uma eminência parda.

Já vimos isto tantas vezes



Sudão. Auschwitz. Ruanda. Soweto. Dr. Mengele. Blackwater.

Basta ler jornais, ver as notícias na TV. Já sabemos, bem de mais, o mal que o homem é capaz de fazer ao homem.

Agora imaginem que se tratava de extraterrestres, literalmente caídos do céu, aparentemente indefesos, e com o aspecto grotesco de insectos gigantes. Do que seríamos capazes?

Neste filme não se vai muito além da imaginação, ou sequer da realidade do que já vimos. Ainda assim, bate bem e fundo, ver na tela o horror da segregação da crueldade.

Ficção científica em forma de documentário, filmado com um realismo assustador, e com um ritmo alucinante.

Há que tempos, p'raí desde o Apocalipse Now, que um filme não me causava insónias. E por boas razões. Kudos.


(alguém acredita que não me saem da cabeça os olhos tristes de Christopher, o alien?)

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Understatement do mês

Uma cabeleireira acabou de alterar por completo o meu paradigma capilar.



(ainda não sei bem se isto é bom ou não. aguardemos a primeira lavagem em casa, pá)

domingo, 27 de Setembro de 2009

Ken explica


"I believe choosing is a sin, so I don´t vote."
Kenneth Parcell, 30 Rock
Acontece-me hoje, e pela primeira vez desde que fui às urnas, com uns inocentes 19 anitos. Não me apetece. Não quero. Mas vou, só por teimosia. E recuso-me a escolher o mal menor.